Aprendendo no Japão, rumo ao mercado global: Programa de Estágio de Curta Duração nº 2
Olá.Meu nome é Taiki Mitsuo e sou estagiário na Divisão de Operações de Treinamento da JICA Kyushu.Quando se pensa na cooperação internacional da JICA, muitos podem imaginar o programa de Voluntários da JICA para Cooperação no Exterior, que "envia japoneses para o exterior". No entanto, o papel da JICA não se limita a isso.O "treinamento realizado no Japão", que convida funcionários do governo e engenheiros de todo o mundo para aprender sobre tecnologia e sistemas japoneses, também é uma parte importante da cooperação internacional da JICA. O conhecimento e a experiência adquiridos no treinamento são levados de volta aos seus respectivos países e usados para resolver problemas locais e desenvolver recursos humanos.Por meio do meu estágio na JICA, tive a oportunidade de ouvir muitas pessoas diferentes. Como parte do meu aprendizado durante o estágio, gostaria de compartilhar essas entrevistas com vocês em várias partes.Nesta segunda parte da série sobre estágios de curta duração, entrevistei Juliete Galvão, do Brasil, que participou do programa "Tecnologia Adequada de Tratamento de Resíduos para a Construção de uma Sociedade Circular por meio da Promoção da Reciclagem", realizado na JICA Kyushu. Perguntei a ela o que a trouxe ao Japão, o que aprendeu durante o treinamento e qual foi sua impressão sobre o país.
P: Que tipo de trabalho você está realizando atualmente em seu país?
Trabalho no Departamento de Agricultura, Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente da prefeitura de Hiaçu, Brasil. Minhasprincipais atribuições incluem o planejamento e apoio a projetos de conservação ambiental, a realização de levantamentos ambientais e a gestão e orientação de atividades ambientais em conformidade com as leis e regulamentações ambientais. Também me dedico à educação ambiental para crianças, ministrando palestras e oficinas em escolas.

P: Dentre todos os países, por que você escolheu estudar no Japão?
Em 2013, conheci dois japoneses nos Estados Unidos e me aproximei deles, o que despertou meu interesse pelo Japão. Após retornar ao Japão, continuei interagindo com eles e meu interesse pela cultura japonesa se aprofundou.Mais tarde, durante meus estudos na universidade, descobri que os esforços do Japão em gestão e descarte de resíduos são altamente reconhecidos mundialmente, e meu desejo de estudar no Japão aumentou ainda mais.O Brasil enfrenta muitos desafios na gestão e descarte de resíduos. Portanto, quando soube da oportunidade de treinamento da JICA, quis aprender sobre a excelente tecnologia e as iniciativas do Japão e aplicá-las no meu próprio país, então me candidatei para participar.
P: Qual foi o momento mais memorável do seu treinamento no Japão?
Durante o programa de treinamento de sete semanas, houve tantas oportunidades de aprendizado e eventos memoráveis a cada semana que é muito difícil escolher apenas um. Entre eles, os mais memoráveis foram a palestra sobre educação ambiental que assisti na cidade de Kitakyushu e minha visita à Local Food Cycling em Fukuoka.Na palestra sobre educação ambiental, aprendi sobre a jornada da cidade de Kitakyushu para superar problemas ambientais por meio da cooperação entre cidadãos, governo e empresas, após ter enfrentado uma grave poluição. Aprender sobre seus esforços me fez perceber que os problemas ambientais podem ser resolvidos não apenas por meio da tecnologia, mas também pelo esforço conjunto de muitas pessoas.Durante a visita à Local Food Cycling, aprendi sobre compostagem e sua conexão com a comunidade, e até experimentei o processo de mistura do composto usando ferramentas. Pude observar os microrganismos enquanto trabalhava manualmente e vi em primeira mão como a execução correta de cada etapa pode produzir um composto de alta qualidade utilizável na agricultura orgânica.Essa experiência me fez refletir sobre a quantidade de resíduos alimentares descartados diariamente em nosso país, mesmo que possam ser um recurso valioso para a agricultura orgânica. Acredito que utilizar resíduos alimentares como recurso não só leva a um estilo de vida ecologicamente correto, como também conecta vizinhos, famílias e pessoas de diferentes gerações, promovendo saúde e bem-estar.Durante a palestra, ouvi a frase: "Ao criarmos composto, podemos mudar nossos estilos de vida". Essa frase me marcou profundamente e jamais a esquecerei. Por meiodesse treinamento, aprendi que a solução de problemas ambientais exige não apenas tecnologia e conhecimento, mas também cooperação entre as pessoas e um esforço conjunto da comunidade. Quero aplicar os conhecimentos adquiridos nessa experiência em meu trabalho futuro, na educação ambiental no Brasil e na gestão de resíduos. Além disso, não só quero disseminar as técnicas de compostagem que aprendi, como também colocá-las em prática no meu dia a dia.

P: Agora que você concluiu seu treinamento no Japão, que tipo de iniciativas você planeja desenvolver no futuro?
Pretendo utilizar o que aprendi no Japão implementando as atividades propostas no meu plano de ação*¹. Intitulado"Promoção da Reciclagem por meio da Educação Ambiental: Uma Alternativa para Melhorar a Gestão de Resíduos Sólidos em Iaçu", proponho a implementação de um projeto de educação ambiental direcionado a quatro escolas de ensino fundamental. Nesteprojeto, em colaboração com colegas do Departamento de Agricultura, Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente e do Departamento de Educação, a curto prazo, realizaremos palestras incorporando os 3Rs e a filosofia "mottainai" (evitar o desperdício), além de oficinas de compostagem. Também planejamos criar folhetos informativos apresentando métodos para a separação de materiais recicláveis, inicialmente com foco em cinco tipos de materiais. Amédio prazo, planejamos realizar uma campanha de reciclagem e estabelecer "pontos de coleta" onde crianças e moradores locais possam levar seus materiais recicláveis já separados. Além disso, para incentivar a participação da comunidade, realizaremos "dias de limpeza comunitária" nas áreas ao redor de cada escola.A longo prazo, proponho a construção de um centro de reciclagem.Combinando essas atividades, espero alcançar os principais objetivos do meu trabalho. Especificamente, os dois objetivos são reduzir a quantidade de resíduos transportados para aterros a céu aberto*² em 30% até o final de 2027 e fechar os aterros a céu aberto até o final de 2030.

P: Houve alguma diferença entre a imagem que você tinha do Japão antes de vir para cá e o Japão que você realmente vivenciou durante seu treinamento?
Antes de vir ao Japão, eu tinha a imagem de um país com tecnologia extremamente avançada. No entanto, foi só depois de estar lá que consegui entender melhor como essa tecnologia é usada no dia a dia das pessoas. Por exemplo:a infraestrutura da usina de incineração que visitei,o transporte ferroviário como o Shinkansene as balsas que ligam as ilhas.E, claro, os banheiros japoneses são sem dúvida os melhores que já vi.Quanto à comida, antes de vir ao Japão eu pensava que "os japoneses comem sushi todos os dias", mas descobri que não é bem assim. Fiquei surpreso ao descobrir que o Japão tem uma cultura gastronômica muito diversificada, incluindo ramen, pratos com arroz e pratos com peixe e carne de porco.Outra coisa que me impressionou bastante foi a bela arquitetura. Castelos, santuários e casas antigas eram encantadores, e a atmosfera acolhedora era muito impressionante.




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